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Entrevista com ELISA DIXAN, da banda italiana Los Fastidios: de fã número um a vocalista

Foto do escritor: Gabe Salmazo
Gabe Salmazo
1 de mai.
6 min de leitura

No dia 23 de abril de 2026 a banda italiana de Ska/Street Punk Los Fastidios vem a Curitiba pela quarta vez para se apresentar no palco do Belvedere Casa de Cultura, trazendo um show dançante, com muita energia e interação entre seus integrantes e o público. A banda trouxe um setlist variado tocando canções mais recentes e também as clássicas, além de discursos poliglotas, mesclando frases em italiano, em inglês e até arriscaram ainda algumas em português. Um dos discursos que chamou atenção do público e pode até ser considerado controverso, foi o discurso feminista conduzido por Enrico de Angelis, líder da banda e único integrante da formação original. O vocalista fez um discurso importantíssimo sobre o sexismo na cena e as mulheres foram chamadas para subir no palco, evento inclusive comentado por Elisa na entrevista a seguir. Muitos de nós esperávamos este discurso e iniciativa vinda da única mulher no palco, porém por outro lado, é possível entender que a presença dela no palco foi um fator importante para este discurso existir, inclusive porque é bastante perceptível que ela tem ganhado cada vez mais espaço dentro da banda: ela começou dividindo o vocal com Enrico em poucas canções e atualmente faz o vocal principal em diversas canções e em outras, participa como vocal de apoio e coro. Um pouco antes do show, conversei com Elisa Dixan sobre como começou seu trajeto na música, quais suas influências e como passou de fã número um da banda a vocalista.


Nota: Como o inglês não é a primeira língua de nenhuma de nós duas, resolvi conduzir a entrevista em italiano, portanto, a entrevista a seguir é uma tradução livre com pequenas edições. O video com o áudio original e legendas estará disponível em breve no Instagram do programa. Boa Leitura!


Elisa Dixan em Curitiba
Elisa Dixan em Curitiba

Sobre a entrevistada:

Elisa Dixan

Natural de Verona (Itália)

Além de vocalista da banda Los Fastidios,

trabalha no selo Kob Records

Começou a tocar guitarra as 10 anos junto com seu pai

Trabalha com música há 14 anos



[Gabe] Ouvi numa entrevista com você e o Enrico, que, se não me engano, a tua primeira banda foi quando você tinha 15 anos, certo?

[Elisa] Exatamente! Ela se chamava The Dixan Girls. [o sobrenome] Dixan veio dessa banda. Éramos 5 amigas, muito jovens e a gente não sabia tocar direito, mas, mesmo assim, decidimos fazer uma banda. Como faltava um ou uma baterista, chamamos um amigo nosso para fazer parte.


[Gabe] E podemos escutar essa banda em algum lugar?

[Elisa] Não, não tem em lugar nenhum. Nós fizemos um monte de shows mas somente em salas de ensaio. O que foi muito legal! Eu tocava guitarra e éramos cinco garotas com influências musicais diferentes. O resultado era um mix absurdo.


[Gabe] Você cantava também?

[Elisa] Não, somente tocava guitarra.


“A gente trabalha 100% com música: banda, selo Kob Records e loja.”

[Gabe] Hoje você tem um segundo trabalho, além da banda?

[Elisa] Sim, eu trabalho com Enrico. A gente trabalha 100% com música. Temos uma loja de música desde 2012 e trabalhamos somente online vendendo discos e roupas relacionadas a música. E também temos um selo musical. Na verdade este selo, a Kob Records existe desde 1996, e este ano completa 30 anos de atividade. Eu comecei a trabalhar com Enrico em 2012 no selo.


[Gabe] Isso antes de entrar na banda?

[Elisa] Isso, antes de entrar no Los Fastidios. E alguns anos depois eu abri uma produtora de shows, sempre ligada a Kob Records e comecei a me dedicar a agendar shows para diversas bandas, tanto italianas como estrangeiras. Todas porém relacionadas a música Punk e Ska.


[Gabe] Então teu percurso musical começou há muito tempo atrás.

[Elisa] Podemos dizer que comecei a trabalhar com música em 2012, antes eu trabalhei por muitos anos em um bar, além de estudo e eu era também fotógrafa.


“Comecei a tocar guitarra quando tinha 10 anos, por insistência do meu pai. A gente ia juntos pra escola de música.”

[Gabe] E quando você disse aos teus pais: olha, agora tenho uma banda, serei famosa... o que eles disseram? Ou não foi bem assim?

[Elisa] Na verdade, os meus pais conheciam bem Los Fastidios porque era a minha banda preferida. Eu era a fã numero um. Eu comecei a tocar guitarra porque meu pai queria que eu tocasse a todo custo. Comecei as aulas de guitarra junto com ele quanto eu tinha dez anos, a gente ia para a escola de música juntos. Portanto sobre o fator musical, meus pais sempre me apoiaram a tocar um instrumento musical.


[Gabe] E como aconteceu de passar de fã para parte da banda?

[Elisa] Eu acabei conhecendo Enrico, fora da banda Los Fastidios, e comecei a trabalhar com ele. No começo, comecei a trabalhar com Los Fastidios como fotógrafa, e depois com a Kob Records, o selo discográfico de Enrico, e dali fui aos poucos, passo a passo, até que em 2018 subi no palco pela primeira vez para cantar algumas músicas.


[Gabe] Porque você já sabia todas as músicas!

[Elisa] Sim! Eu sabia toda a discografia. Eu estava pronta para a entrevista de emprego.


“Pauline Black é minha heroína”

[Gabe] E sobre as mulheres que te influenciaram na música. Eu estava ouvindo a entrevista e pensei que você falaria das tuas influências como as clássicas, como The Specials, achei que talvez não tivesse nenhuma mulher na lista mas daí você mencionou uma mulher que pensei: ah ótima!

[Elisa] Sim, que é Pauline Black. É a minha heroína. Eu acredito que ela foi um símbolo como mulher, uma cantora mulher de uma banda Ska (2 Tone), em alguns anos muito difíceis. Ah, e ainda uma mulher negra, duplamente difícil. Acredito que ela seja um exemplo de como uma mulher possa fazer parte de uma banda, fazer parte de uma cena musical, que infelizmente é ainda hoje é cheia de sexismo.


“Na nossa cena musical o sexismo existe, e precisamos combater, falar, estarmos unidos...”

[Gabe] Sim, é um ambiente muito machista.

[Elisa] Exato, é uma cena muito machista, mesmo a cena skinhead, punk…


[Gabe] Quando não deveria ser assim, em teoria.

[Elisa] Sim, de jeito nenhum. Não deveria ser assim em nenhum lugar. Infelizmente é, e Pauline Black demonstrou ser forte, ser uma mulher que se fez ser vista e ouvida como uma líder em um ambiente tão difícil, ainda mais naqueles anos. Não que agora mudou muita coisa, mas naqueles anos talvez fosse pior. Nós procuramos em todos os shows encontrar um momento para falar algumas coisas sobre isso porque repito: na nossa cena musical o sexismo existe, e precisamos combater, falar, estarmos todos unidos e unidas, e de tentar resolver esse problema gigante. Durante os nossos shows, nós falamos sobre isso e dedicamos uma música a todas as Rude Girls que estão nos nossos shows, e todas aquelas pessoas que lutam cotidianamente contra qualquer tipo de discriminação. E fazemos isso em modo que as mulheres subam no palco, acima de tudo para mostrar que a gente existe, e que podemos estar em um palco, e que o palco não é só para os homens.


[Gabe] E que nós temos uma voz.

[Elisa] E esse momento é um dos meus preferidos porque estou com outras mulheres, outras irmãs e não me sinto sozinha.


[Gabe] Estou muito feliz de ouvir tudo isso porque é isso que eu vivo nos últimos 20, quase 30 anos que estou nesta cena que muda pouco. Mas continuamos a falar das outras mulheres que te inspiram: a Pauline Black é uma. Você tem outras mulheres que te fazem inspirar?

[Elisa] A Pauline Black, pra mim, é ela que me inspira.


[Gabe] Ok! Outra pergunta seria: sobre a sua carreira solo. Podemos esperar mais músicas?

[Elisa] Na verdade, aquele projeto de Elisa Dixan sings Los Fastidios, começou por uma brincadeira. Eu nunca tinha cantado na vida, mas Enrico queria que eu cantasse alguma coisa. E um dia ele reservou um estúdio de gravação, sem me dizer nada porque sabia que eu não queria e teria dito não. E entramos lá e ele disse: “Bom Elisa, agora tenta cantar essas duas músicas.” E eu: “Como assim? Nunca tentei cantar elas, não sei o que fazer.” Mas ele insistiu: “Não se preocupa, se você não gostar delas, fica entre a gente, pra ouvir em casa, fazemos karaoke…


[Gabe] Mas ele fez a melodia, e o resto da música?

[Elisa] Na verdade, as primeiras músicas que eu cantei eram músicas velhas do Los Fastidios que tinham tirado a voz de Enrico e colocado a minha. E assim, eu acabei gostando e me diverti muito, e aceitei em lançar. A gente fez um 7’’ (um seven inch) e dali eu fiz um segundo e depois um terceiro. Já se passaram quatro anos desde que fiz o terceiro, depois não fiz mais nada porque entrei 100% no Los Fastidios e não tive mais tempo. Porém quero este ano lançar um álbum completo. Preciso encontrar tempo mas eu quero muito!


[Gabe] E daí quando você fizer a tua tour na América do Sul, Bravonas vai ser a banda de abertura!

[Elisa] Acho que eu que vou ser a banda de abertura!


[Gabe] Capaz! Espero ansiosamente por este momento. Tenho certeza que será lindo!

Te agradeço demais pela entrevista, acho agora você precisa se preparar para o show, né?

[Elisa] Isso! A preparação é pequena mas é o mínimo.


[Gabe] Mas é necessário um tempo para entrar no espírito de ação.

[Elisa] Sim! Obrigada demais pelo espaço.


[Gabe] Te espero ano que vem.

[Elisa] Quem sabe o que me prepara o futuro!



Siga Elisa Dixan no instagram: https://www.instagram.com/elisadixan/

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