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QUEM SÃO AS MULHERES ROCKEIRAS DO UNDERGROUND CURITIBANO?

  • Foto do escritor: Carol Cardoso
    Carol Cardoso
  • 24 de mar.
  • 4 min de leitura
(Adaptação da pesquisa de mestrado de Carol Cardoso)
MULHERES ROCKEIRAS:
TRAJETÓRIAS NO UNDERGROUND CURITIBANO 1990-2020

As Diabatz (2006-2018)
As Diabatz (2006-2018)

A ideia de pesquisar sobre as mulheres na cena musical underground de Curitiba surgiu da minha própria relação com esse estilo em específico. Desde criança escuto rock com minha família, em minhas lembranças a música está presente em diversos momentos, desde muito nova na coleção de discos de bandas internacionais dos meus pais, o rock Brasil anos 1980 com meus tios e tias, o grunge e heavy metal com meus primos. Com o passar dos anos, comecei a descobrir outros estilos como o punk e o pós-punk em revistas de música como a Bizz e em programas televisivos em canais como a MTV. Foi aí que meu gosto particular por determinados subgêneros do rock e por bandas em especial começaram a se desenvolver. E foi também quando comecei a conhecer e estabelecer relações de amizade com pessoas com mesmo interesse musical que o meu. Foram essas pessoas que me levaram a experienciar a cena underground de Curitiba.

Frequento essa cena musical há aproximadamente 25 anos. Desde então participei de ensaios de bandas, assisti diversos shows, fui (sou) frequentadora ativa dos bares, livrarias e outros espaços que abrem espaço para o underground. Aprendi a tocar bateria, formei e integro uma banda de surf music. Tive a oportunidade de conhecer muitas pessoas e com elas suas histórias como participantes do underground. Histórias fabulosas, nostálgicas, afetivas, conflituosas, algumas um pouco exageradas, outras que não foram dadas o devido valor, eu mesma tenho minhas próprias histórias para contar. Afinal, o underground é parte constituinte do que sou, passei metade da minha vida e sigo nele experienciando, me encantando, me revoltando e me decepcionando cada vez mais. Uma relação de carinho e rancor.


"Antigamente tinha muita rivalidade e faltava um pouquinho de união das gurias"


A PESQUISA E AS ENTREVISTADAS

A pesquisa que me propus fazer foi investigar a experiência, os percursos, as histórias de vida das mulheres que fazem parte do rock underground de Curitiba, a partir de relatos orais de três participantes musicistas que frequentam essa cena musical. Também retratei os obstáculos relacionados ao gênero como falta de oportunidades, estímulo, incentivo ou até mesmo assédio e machismo, assim como listei as produções de bandas formadas majoritariamente por mulheres, resgatei materiais de divulgação de eventos e suas produções.

Na história da música, assim como das artes em geral, as mulheres nunca tiveram muita visibilidade. Mesmo fazendo parte de movimentos artísticos consagrados, muitas mulheres foram rotuladas por sua aparência física, ou sobre seus relacionamentos afetivos amorosos, ou por alguma frase proferida em algum momento de devaneio. Entretanto, as mulheres sempre estiveram produzindo, criando e manifestando suas realizações artísticas.

As interlocutoras da minha dissertação foram escolhidas pois, além de serem três das poucas mulheres que compunham bandas na década de 1990, estão até os tempos atuais envolvidas em trabalhos com bandas, organizando eventos, festivais ou participando de projetos sociais musicais. Meu objetivo não foi contar a história musical da cidade em ipsis litteris, e sim, abordá-la a partir das histórias de vida de três musicistas que circulam por essa cena durante as últimas três décadas. Para além de retratar o trabalho realizado pelas mulheres na cena musical underground curitibana, é importante compreender como essas mulheres são concebidas como sujeitas sociais, políticas, produtoras e reprodutoras de conhecimento.


"Foi quando eu vi ela [Jennifer Finch] eu pensei “meu Deus eu quero tocar baixo, eu quero ser uma baixista”


CADA ETAPA DA TESE

O meu trabalho se divide em quatro capítulos. No primeiro capítulo, descrevo o underground curitibano mencionando como os participantes da cena musical transitavam e usufruíram de Curitiba, através do documentário amador de Darwin Dias (2003). O segundo e terceiro capítulos têm o intuito de compreender como a música entrou na vida das mulheres entrevistadas: as primeiras lembranças em que a música se faz presente, os primeiros contatos com instrumentos musicais, se houve incentivo para tocar um instrumento, como se deu o processo de formação das primeiras bandas dessas musicistas e como foi para elas fazer parte da primeira leva de bandas com mulheres na formação dentro do underground. O quarto capítulo conta com questões formuladas especificamente para cada uma das integrantes, onde narram algumas situações subjetivas dentro das experiências de cada uma no underground de Curitiba. Também descrevo o projeto social Rock Camp Curitiba.

Nos anexos desse trabalho, realizo um levantamento das bandas compostas por mulheres na cidade de Curitiba. Os critérios estabelecidos para esse levantamento foram:

  • bandas formadas majoritariamente por mulheres ou pelo menos metade da formação ser composta por mulheres;

  • bandas que surgiram a partir de 1990 quando o cenário underground da cidade estava constituído, até o ano de 2024, ano que defendi minha dissertação em banca.

Privilegiei nessa pesquisa bandas de música autoral no underground curitibano formada por mulheres. Entendo que pouco foi falado ou escrito sobre a cena musical de Curitiba; porém, os registros existentes são todos protagonizados por homens. Acredito ser o momento de entender o processo de consolidação da cena musical independente e underground da cidade a partir da perspectiva das mulheres que dela participaram.


"É um sentimento não só de “putz, que música tesão” era uma sensação de “eu quero fazer isso, quero subir no palco”


Leia o trabalho na íntegra acessando a Biblioteca virtual da Universidade Federal do Paraná, clicando no link abaixo. Boa leitura!


 
 
 

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